O cisne incompleto da PSN
Um pouco esquecido em um canto da E3, The Unfinished Swan é um dos títulos mais belos e únicos do PS3
Você está em um ambiente totalmente branco, como aquela sala de treinamento em Matrix. Sem nada para servir como um ponto de referência, é impossível dizer se sua cabeça está realmente se mexendo. É impossível, sequer, ter certeza se você está olhando para frente, para cima ou para baixo.
Sem ter ideia do que fazer, você resolve tentar alguma ação qualquer, o que resulta em uma bola de tinta preta sendo arremessada. Ela então se choca contra um objeto, que, sem que você soubesse, estava logo à sua frente. A tinta se espalha após o contato e, mesmo não tendo pintado o artefato completamente, é possível entender que se trata de uma mesa. Continuando a arremessar mais bolas de tinta o cenário começa a aparecer diante de seus olhos; paredes, móveis, chão, teto e um caminho a ser seguido, que precisa ser pintado para ser visto. Isso é The Unfinished Swan.
The Unfinished Swan é um passeio, um jogo que pede que você o explore em seja lá qual for o passo que mais lhe apraz. Você pode apenas pintar o caminho e ir em direção ao final da fase, ou pode passar mais tempo preenchendo seus arredores, entendendo melhor o que é este local em que você se encontra. Você pode também, se quiser, minuciosamente arremessar tinta em cada centímetro de tudo que há em torno; isso, porém, elimina um dos efeitos mais belos de The Unfinished Swan, que é a maneira como a tinta, dinamicamente, se espalha quando se choca com algo.
Os respingos não são pré-programados, e se configuram de maneira diferente a cada nova jogada, dependendo da maneira como as bolas pretas são arremessadas. Isso é algo muito bonito, especialmente como, no contraste entre preto e branco, você pouco a pouco consegue enxergar as bordas e delimitações dos elementos que compõem o cenário.
Infelizmente, The Unfinished Swan estava sendo demonstrado ao lado do novo God of War, cujo som alto envolvia tudo que estava em volta. Ben Esposito, designer do jogo, me afirmou que o título não tem propriamente música, mas mais sons de ambiente, ativados e desativados conforme a interação e partes do ambiente exploradas. Uma trilha mais permeada pelo silêncio do que por sons em si parece caber muito bem com a estética de The Unfinished Swan – especialmente dada a presença massiva da cor branca no jogo – porém, como disse, foi impossível verificar por conta própria.
The Unfinished Swan possui uma história. Ela trata de um garotinho que perdeu recentemente a mãe. Em uma reviravolta aos moldes de Alice no País das Maravilhas (comparação utilizada pelo próprio Esposito) a última pintura feita pela mãe do garoto – a de um cisne, não terminado – pula para fora da tela, atraindo o menino a segui-lo, levando-o ao mundo onde ocorre o jogo. Outras pistas, mensagens vagas, podem ser encontradas pelo cenário, e, segundo Esposito, aqueles que buscam por algo a mais sobre a trama, mesmo que não muito concreto, encontrarão isso se procurarem bem.
Entretanto, a impressão com a qual saí é a de que significados absolutos não são o objetivo de The Unfinished Swan. Trata-se de uma experiência visual e quase sensorial, quem sabe aos moldes de Journey, feita para ser aproveitada a cada passo dado, e não para lhe entregar algo amarrado e pronto em sua conclusão.
Em meio a cornucópia de barulhos e sons da E3, The Unfinished Swan conseguiu me fazer esquecer do que havia em volta pelos cerca de dez minutos que sua demonstração durou. Eu saí de lá ansioso por mais, querendo ver por quais lugares The Unfinished Swan me levaria. Felizmente, não será preciso esperar por muito tempo. O jogo será lançado em algum momento deste ano, exclusivamente para PSN. Vale a pena ficar de olho.
asd