Procuramos entender o preço de R$ 3999 do PlayStation 4

Por Heitor de Paola | - Atualizada às

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Os impostos são um grande problema, porém há outros fatores que fazem com que o preço do console seja elevado

O PlayStation 4 é caro, isso ninguém discute. E sabemos sobre como a carga tributária de nosso País faz com que diversos produtos tenham um valor mais elevado por aqui, mostrando uma grande discrepância mesmo quando comparados aos nossos países vizinhos. Mesmo assim, quando a Sony afirmou que 60% a 70% do preço de seu próximo console é devido a taxas, muitos chacoalharam a cabeça, sem acreditarem que a alteração poderia ser tanta.

No entanto, há mais fatores incidindo em toda a operação necessária para trazer o PlayStation 4 até o País, que explicariam o alto valor do console. Se fôssemos levar em consideração apenas os impostos, como explicou o advogado tributarista Fernando Vaisman, a conta não bateria. De acordo com os cálculos de Vaisman, a carga total seria de 138%. Essa porcentagem, aplicada ao valor de US$ 399 cobrado no console nos EUA (que já conta com o lucro do lojista de lá) levaria o valor total a pouco mais de R$ 2 mil, longe dos R$ 4 mil anunciados pela Sony.

Só que existem diversos outros valores, ou difíceis de serem calculados ou que não são liberados pelas empresas, que somam e aumentam consideravelmente o preço final. "Sem saber a margem de revenda nunca vamos saber qual a carga tributária total," disse Vaisman, ao deixar claro que seu cálculo é uma aproximação baseada nas tributações que podemos aplicar ao tipo de produto dentro do qual consoles de videogames se encaixam.

O que costumeiramente não é levado em conta são os custos de operação e de logística que, além de serem vários, são também mais caros no Brasil do que em outros países. "Há o frete até o País, custo de transporte e armazenagem, que são maiores do que o de países vizinhos como Chile e Argentina," disse Felipe Quintas, despachante aduaneiro. Segundo Quintas, a razão dada pela Sony, de que até 70% dos R$ 4 mil são provenientes de taxas, é plausível.

PlayStation 4. Foto: ReproduçãoPlayStation 4. Foto: ReproduçãoDualShock 4. Foto: ReproduçãoPlayStation 4. Foto: ReproduçãoPlayStation 4. Foto: ReproduçãoDualShock 4 e PlayStation Eye. Foto: ReproduçãoDualShock 4. Foto: ReproduçãoPlayStation 4. Foto: ReproduçãoPlayStation 4. Foto: ReproduçãoDualShock 4. Foto: ReproduçãoDualShock 4. Foto: ReproduçãoPlayStation 4. Foto: ReproduçãoPlayStation 4. Foto: ReproduçãoPlayStation 4. Foto: Reprodução

Há também o lucro dos lojistas brasileiros (cujo valor exato para consoles não é divulgado, porém é menor do que os cerca de 30% de lucro bruto para jogos) e o fato do PlayStation 4 já vir pronto para o Brasil. Quintas disse que se um produto é trazido para cá até 70% pronto, ele é considerado como peças e partes, o que diminui o imposto cobrado em cima dele. A assessoria da Sony nos disse que os consoles virão para o Brasil já montados, fazendo com que as taxas sejam ainda mais altas (qualquer produto que venha 80% finalizado é considerado pronto).

Outro tipo de custo que normalmente não consideramos é aquele causado pelas dificuldades envolvidas na logística. "Duvido que alguém saiba tudo do direito tributário no Brasil", afirmou Francisco Zavascki, também advogado tributarista. Segundo Zavascki, a própria complicação e burocracia de nossa área tributária fazem com que os gastos de logística aumentem. Exemplifica, "um estudo mostrou que uma montadora da Suécia precisava de duas pessoas no setor tributário para operar. Uma montadora da mesma empresa, no Brasil, requer 200 pessoas na área".

Após a aplicação de todos os tributos, que são incididos em imposto sobre imposto (ou em cascata), Quintas calcula que podemos considerar quase 200% de tributos sobre o preço original. Depois disso ainda há a aplicação do ICMS, que varia de Estado para Estado e é pago em cima do preço já alterado por outros impostos, e do lucro dos lojistas. Soma-se a isso a cotação atualmente alta do dólar e beiramos os R$ 4 mil anunciados pela Sony.

Em 2010, antes do início da fabricação do Xbox 360 no Brasil, a Microsoft foi capaz de reduzir o preço de seu console (de R$ 1249 para R$ 999 no modelo arcade) e deixá-lo abaixo do valor cobrado na época pelo PlayStation 3, sendo que ambos tinham preços equivalentes nos EUA. Isso foi possível porque, de acordo com Guilherme Camargo, ex-gerente de marketing do Xbox Brasil, em entrevista ao Gizmodo, havia uma subsidiação da Microsoft global, que vendia o Xbox 360 para o mercado brasileiro por um custo reduzido. Quando questionadas, tanto a Sony quanto a Microsoft não quiseram comentar se tal subsídio existirá para o PlayStation 4 e Xbox One.

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