Com filiais na Itália e EUA, Acigames quer levar jogos nacionais para exterior

Por Heitor de Paola |

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Conversamos com Moacyr Alves Jr. durante a BGS de 2013, situação em que ele nos explicou o propósito das filiais da Acigames em outros países

Gustavo Lanzetta/Lektronik
Moacyr Alves Junior

Durante a Brasil Game Show tivemos a oportunidade de conversar com Moacyr Alves Jr. , presidente da Acigames . Antes uma figura que falava com mais frequência em redes sociais, Moacyr tem cada vez mais aparecido de forma pontual, sem se expor tanto quanto antes.

Por causa disso, o anúncio da abertura da Acigames Miami e, mais recentemente, em Livorno, causou confusão. O motivo por trás dessas unidades não era óbvio e nenhuma explicação foi dada. No entanto, Moacyr deixou claro por que a entrada da associação em outros países pode oferecer ajuda ao nosso mercado, falando em seguida sobre o que soa ser a canção do cisne por parte da Acigames em relação a tentativas de diminuição de impostos.

A Acigames Miami surgiu de um convite feito por Mario Aguilar , hoje em dia diretor da associação nos EUA, com o objetivo de facilitar a comunicação de estúdios brasileiros com publishers estrangeiras. "A realidade é que para a venda de pequenas publishers o Brasil ainda representa muito pouco. São poucas empresas que conseguem ter uma eficiência monetária no Brasil," diz Moacyr. A unidade em Miami diminuiria a distância até essas empresas que não têm como agir no País, "é mais fácil você vender o jogo da sua empresa no território deles". A proposta é similiar à da BGD  (Brazilian Game Developers), programa criado pela Abragames  (Associação Brasileira dos Desenvolvedores de Jogos Digitais) junto com a APEX  (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), com o objetivo de levar jogos brasileiros para o mercado internacional.

Reprodução
Chroma Squad

Além disso, a presença da Acigames nos EUA facilita a entrada de estúdios brasileiros no Kickstarter. Para poder colocar seu projeto no site crowdfunding é preciso ter uma conta em um banco dos EUA, Canadá, Reino Unido ou, em breve, Austrália e Nova Zelândia. Chroma Squad e Adventurezator mostram que essa não é uma barreira impossível de ser quebrada, mas, com uma unidade da Acigames situada nos Estados Unidos, a associação pode servir de intermédio para campanhas brasileiras, diminuindo o tamanho desse empecilho. "O jogo tem chances de monetizar bem mais em vez de ficar só no Catarse ou os [sites de crowdfunding] que tem nacionalmente. Tem muito jogo brasileiro que tem condição de ganhar o que precisa em um Kickstarter. Já temos o primeiro case que vai entrar no Kickstarter, uma produtora do Rio de Janeiro. Depois disso já tem um outro que vai lançar com a gente também, aqui de São Paulo."

"Começamos a juntar essas boas ideias e começou a se formar um boneco do que seria a Acigames Miami," completa Moacyr. "Pro meu espanto, quando nós lançamos [a unidade de Miami], no mesmo dia marcamos seis reuniões com publishers. Hoje, qualquer empresa nacional que queira abrir empresa lá, nós já temos condições [de auxiliar nisso], a um preço super bem acessível." O preço, no caso, é a mensalidade necessária para se tornar um associado da Acigames. Taxas adicionais, no entanto, como a fatia do bolo cobrada pelo Kickstarter caso um projeto tenha sucesso, poderão surgir e deverão ser arcadas pelo próprio estúdio.

Bem, mas e Livorno? A cidade da Itália não exatamente conhecida por ser um grande polo dos videogames. "Na verdade a gente estava planejando abrir primeiro um escritório da Acigames na Espanha, em Madrid."

O que aconteceu foi que a Acigames recebeu um convite inesperado, "isso não estava nem no planejamento". Uma parceira da associação, que faz localização de jogos na Itália, lançou a ideia ao Moacyr. Essa parceira já tinha um escritório em Livorno, o que facilitaria a entrada da Acigames na Itália. O presidente da Acigames questionou inicialmente os motivos "que tipo de oportunidade a gente poderia trazer pro desenvolvedor nacional, pra empresa nacional que queira ir para a Itália?"

Essa parceira tinha como amigo uma empresa chamada U-Start, que "tem todos os investidores da Europa, e eles querem investir em aplicativos e games". Moacyr teve uma reunião com essa empresa em São Paulo e diz que futuramente haverá uma concorrência em que 20 empresas brasileiras disputarão por quatro vagas no maior evento de investimento Europeu. A passagem, estadia e preparação do pitch serão por conta do pessoal dessa empresa, que mostrará esses cases brasileiros para os maiores investidores europeus.

Reprodução
Adventurezator: When Pigs Fly

Moacyr deixa claro que não se trata de uma incubadora de startups, e sim de um investimento. Caso uma (ou mais de uma) empresa brasileira seja escolhida, ela voltará para o País com o investimento e produzirá aqui. Haverá então uma supervisão da empresa durante o projeto.

"Meu objetivo é ampliar o mercado de toda forma que a gente puder aqui". Disso, Moacyr explica as intenções por trás da Acigames Madrid, dizendo que lá existem editais que contemplam trabalho conjunto, entre Espanha e outros países. "Existe uma empresa que faz jogos na Espanha que está interessada em fazer projetos aqui no Brasil. Isso já está certo e isso nós já iremos fazer". Com um escritório lá, a Acigames poderia falar diretamente com o ministério da cultura da Espanha, auxiliando no intercâmbio entre os dois países.

A redução de impostos

Infelizmente, depois de relatar sobre esses projetos, Moacyr deixa claro que certos caminhos que poderiam trazer uma mudança na indústria de videogames brasileira - como a redução de impostos, que foi o objetivo inicial do presidente da Acigames, antes mesmo da fundação da associação - se mostram mais inviáveis do que pareciam anos atrás. "Cada vez mais tá bacana, eu percebo que as coisas estão acontecendo, mas eu vou ser bem franco, pelo Ministério da Cultura eu acho muito difícil [que ocorram mudanças]. Eu tentei vários anos por lá, achando que poderia acontecer, o pessoal é realmente contra". A mesma falta de otimismo é compartilhada quanto a área da Receita Federal, "fui falar de tributação de games, eles responderam que estão tributando muito bem o cartucho, então tá muito difícil por lá".

O que Moacyr busca agora é marcar uma audiência pública, que está planejada para a segunda quinzena de novembro. "Vai ser lá na câmara dos deputados, vai ser aberto, então poderá ir imprensa, estou fazendo convite abertamente para que vocês estejam lá. Nós temos que começar a fazer barulho para esses caras, porque se a gente não fizer barulho, meu amigo, isso não vai sair do canto… mesmo fazendo barulho, parece que não acontece muita coisa".

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