Análise - Indie Game: The Movie
Documentário apresenta de maneira sublime a rotina de conquistas e derrotas de desenvolvedores independentes
Assistir o documentário Indie Game: The Movie logo após a E3 foi uma experiência interessante. Enquanto em Los Angeles vemos o ápice monetário da indústria com o anúncio e evidenciação de projetos onde foram investidos milhões de dólares, na obra dos canadenses James Swirsky e Lisanne Pajot - diretores do longa-metragem - acompanhamos o desenvolvimento de jogos que contam com algumas centenas de pessoas a menos em sua produção.
Não sendo um exemplo pleno de entusiasta da cena independente do entretenimento eletrônico, minhas expectativas sobre a obra de Swirsky e Pajot eram mínimas e se mostraram errôneas. Por não ter acompanhado o processo de financiamento do filme e nem os trailers que foram disponibilizados em sua pós-produção, acreditava que se tratava de um documentário amplo sobre toda a esfera indie, como um A Era do Videogame um tanto “underground”.
Fui assim surpreendido por um filme muito mais humano e delicado, cujo pequeno foco de exposição ajudou a criar um relacionamento pessoal e emotivo com os personagens. Estão presentes Edmund McMillen e Tommy Refenes ( Super Meat Boy ), Phil Fish ( Fez ) e Jonathan Blow ( Braid ).
Indie Game: The Movie ilustra as desventuras do desenvolvimento de um jogo, fora do universo blockbuster de artistas assalariados e grandes corporações, numa realidade em que o sucesso e o fracasso significam mais do que alguns milhões em um cofre cheio. Sem apoio de terceiros, o ecossistema independente segue vivendo à beira do precipício, com pessoas que abrem mão de tudo na idealização de suas obras.
Leia mais:
- Artigo: O que é ser indie?
O longa utiliza como pilar o lançamento de Super Meat Boy para Xbox 360 , alternando o ponto de vista para alguns momentos da epopeia de Fez e também as discussões filosóficas – e um tanto quanto bizarras – do criador de Braid. Após mostrar pequenos flashes da chegada do herói de carne ao console da Microsoft , o documentário volta sete meses no passado, construindo sua narrativa a partir daí.
Além do seu primor técnico, em que é impossível não elogiar a fotografia, edição, escolha e utilização de trilha sonora, dentre inúmeros outros detalhes que se encaixam perfeitamente em favor da beleza estética da obra; o filme é extremamente competente em transportar o expectador até o universo de cada uma daquelas pessoas, tornando possível absorver seus sentimentos, simpatizar com seus princípios e comemorar suas vitórias.
Mesmo que todos os desenvolvedores que fazem parte do filme atualmente sejam profissionais bem sucedidos, com grandes jogos no mercado e milhares de cópias vendidas, o documentário é feliz em capturar muitos de seus momentos de fragilidade e derrota, onde o apresso por suas criações é constantemente bombardeado por diversas adversidades, sejam elas provenientes de terceiros ou até de suas próprias instabilidades emocionais.
Além de um retrato do cotidiano de designers independentes, Indie Game: The Movie oferece algo que pode ser apreciado por qualquer um, seja lá qual for seu envolvimento com o entretenimento eletrônico. O longa reproduz histórias de superação, de pessoas que não desistiram de correr atrás de seus sonhos, que não exitaram ao tentar transpor sua idealização de diversão e arte ao outros mesmo com o enorme preço que poderiam pagar caso falhassem.
O documentário custa US$ 10 (cerca de R$ 20,50) em seu site oficial e possui legendas em português.