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Wreckateer

Um Angry Birds com Kinect, Wreckateer é divertido, mesmo com alguns problemas de precisão e alta dificuldade

Heitor de Paola | - Atualizada às

Reprodução
Wreckateer

Vamos direto ao ponto: Wreckateer é um Angry Birds com Kinect. Utilizando movimentos de seu corpo, você deve mirar e alterar a direção de projéteis arremessados por uma balista, com o objetivo de destruir o máximo possível de castelos, torres e afins. Wreckateer pode não ser original (e não é como se Angry Birds o fosse...), porém, assim como o jogo de maior sucesso da Rovio, ele é divertido e fácil de ser entendido. Você não terá discussões filosóficas sobre as capacidades narrativas e méritos artísticos de jogos eletrônicos com Wreckateer – e tudo bem, não são todos os jogos que precisam fazer isso. O título da Iron Galaxy é um daqueles que você quer ter para quando amigos que não gostam muito de videogames aparecem na sua casa.

Uma arma elegante para tempos mais civilizados

Destruir coisas é divertido e Wreckateer sabe disso. O jogo não perde tempo com premissas ou desculpas, lhe explicando por qual motivo você deve destruir castelos. O que importa é que você é o mais novo estagiário de um grupo de demolidores, liderado por dois outros Wreckers, e deve sair por aí, estágio após estágio, trazendo abaixo diferentes tipos de estruturas usando uma balista.

O ato de atirar com a balista é sempre o mesmo. Aproximando-se um pouco do Kinect ela é armada, e, ao afastar seu corpo do periférico, a munição é puxada para trás, ficando pronta para ser disparada. Movendo seu corpo para os lados e mudando a altura dos braços, a direção do tiro é determinada. A partir daí, e só abrir os braços como um Cristo que o projétil sairá voando e você o quão prazeroso é ver as estruturas sendo derrubadas e pouco a pouco destruídas. (Nota: eu quebrei um abajur antes de me tocar que os braços não precisam ser abertos com muita força, então que meu erro sirva como dica).

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Wreckateer

Disparar com precisão é só uma pequena parte de Wreckateer. Assim como Angry Birds e seus diferentes tipos de pássaros, a balista tem munições de vários tipos que, além de propriedades únicas, pedem por interações específicas com o uso do Kinect.

Por exemplo, o tiro mais básico, uma vez no ar, pode ter sua direção “ajeitada” com movimentos das mãos. Basta empurrá-lo para qualquer direção que a trajetória dele mudará, mesmo que levemente. O Split Shot, por sua vez, pode ser dividido, e os vários pedaços, como que grudados por uma corda, são então manipulados pela posição de suas mãos. Já o Flying Shot, como o nome indica, voa livremente pelo cenário, conduzido pelos braços do jogador, que devem ser abertos como asas para pilotá-lo.

Além dos tiros, há ícones espalhados pelas fases, de diferentes propriedades. Alguns conferem mais pontos se forem coletados, outros dão a um tiro características pertencentes a outros e assim por diante. No início, Wreckateer faz um bom trabalho em apresentar, progressivamente, novos tipos de munições e ícones, garantindo que você entenda bem o uso e a utilidade de cada um deles. Isso faz com que as fases iniciais, mesmo que claramente tutoriais, não sejam cansativas. No entanto, é no momento em que as rodinhas do jogo são retiradas que as coisas ficam realmente interessantes – e bem difíceis também.

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Wreckateer

Há uma ordem para o caos de Wreckateer. Enquanto qualquer munição é forte o suficiente para derrubar um castelo, é preciso entender quais delas são melhores aplicadas a uma disposição específica de torres e muradas. Por exemplo, torres finas estão enfileiradas lado a lado? O Split Shot é sua melhor opção, pois não só permitirá que todas elas sejam destruídas com um só disparo, como abrirá caminho para que seus outros tiros atinjam aquilo que estava por trás delas. Dessa forma, Wreckateer consegue unir pensamento estratégico com boas execuções mecânicas. E como é o jogo que determina quais tipos de projéteis você terá por fase, conseguir identificar isso de antemão é essencial.

Em algumas situações, essencial demais, já que a dificuldade sobe abruptamente e conseguir sequer a medalha de bronze torna-se um desafio. Além de não ser fácil identificar onde usar cada tiro e das pontuações altas necessária para se obter a pior das condecorações, há a questão do Kinect. A essa altura nós meio que nos acostumamos com isso e não esperamos nada de diferente, mas o sensor do Xbox 360 não é muito preciso na leitura de movimentos. No geral ele funciona bem, mas como as fases passam a pedir que tenhamos uma performance muito boa, volta e meia é necessário um precisão maior do que aquela concedida pelo periférico. Como as fases não são longas e há algumas chances para refazer tiros, é raro haver frustrações. Além disso, não é difícil manter-se em bons espíritos graças ao seu clima leve e agradável de Wreckateer.

Fora as fases normais, há desafios adicionais, abertos de acordo com o seu desempenho. Os desafios são interessantes por pedirem por ações diferentes daquelas vistas nos outros estágios. Em um deles, por exemplo, o Flyng Shot deve ser controlado por entre estruturas, com o objetivo de coletar ícones pelo cenário. Há também um modo multiplayer, inofensivo, porém desnecessário, em que dois jogadores alternam turnos, tentando conseguir mais pontos do que o outro. Ele é funcional, mas as partidas são tão curtas que não há motivos para que a comparação de placares não seja feita no próprio modo campanha.

Aqui, acho necessário um aviso. Wreckateer precisa de um espaço considerável para ser jogado, maior do que o pedido normalmente por jogos de Kinect. Como comparação, a área necessária a dois jogadores em Kinect Adventures é a recomenda para ter a melhor experiência possível em Wreckateer. Você provavelmente já sabe se sua sala comporta o Kinect, mas saiba que se você joga outros títulos no limite, talvez tenha dificuldades em fazer com que o título da Iron Galaxy se comporte bem.

Eu não consigo me ver voltando a Wreckateer para obter pontuações melhores e bater o placar dos amigos da Live, mas é um jogo que quero ligar quando tiver pessoas em casa, que estjam interessadas em jogar enquanto conversam. Mesmo que essa não seja uma situação na qual você acha que irá se encontrar, há divertimento a ser tirado de Wreckateer - da mesma forma que em Angry Birds - mesmo com suas imprecisões e dificuldade súbita. Só se lembre de verificar o espaço que você tem disponível e retirar abajures do alcance de seus braços.

Nota 4 de 5

Wreckateer
Desenvolvido pela Iron Galaxy Studios
Distribuído pela Microsoft Games
Disponível na Xbox Live Arcade por 800 MS Points (US$ 10)


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