Análise - Double Dragon Neon

Double Dragon Neon é uma bela mistura de referências dos anos 1980 com a dose certa de auto ironia

Heitor de Paola | - Atualizada às

Largamente, a era dos beat 'em ups passou. Apesar desse gênero ser visto com carinho por aqueles já de certa idade, que o aproveitaram na era do NES e SNES , na minha opinião ele não funciona muito bem nos dias de hoje.

É difícil ignorar o fato de que muitos desses jogos eram feitos de forma a engolir o maior número de fichas possíveis em fliperamas e, sem essas muletas, as versões caseiras eram apenas um exercício de tempo, que você terminava em poucas horas e ia fazer outra coisa. Em sua época, essa simplicidade era uma aceita, e nós, em geral, não éramos tão aficionado em contar os minutos que cada jogo durava.

Reprodução
Double Dragon Neon

Mas os tempos são outros e os exemplos de jogos que tentaram reacender essa chama do passado nunca surtiram grande efeito em mim. O fraco remake de Turtles in Time é o melhor exemplo de como nossas memórias nos enganam, e Scott Pilgrim vs. The World: The Game é cheio de boas intenções, mas o resultado final é um que deixa a desejar. Provavelmente aquele que tem melhor sucesso é Castle Crashers , pois o título entende a limitação de sua jogabilidade, e compensa isso usando charme, como com suas animações divertidas e a violência cômica.

Double Dragon Neon , fruto do trabalho da WayForward Technologies , também compreende isso. Mesmo que o jogo possua uma leve profundidade recompensando Billy e Jimmy com golpes mais fortes caso eles se esquivem de inimigos na hora certa, suas mecânicas são basicamente as mesmas que já conhecemos. Capangas aparecem na tela e você deve bater neles usando socos e chutes, eventualmente arremessando-os para o outro canto da tela.

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Double Dragon Neon

É tudo que há em torno da ação, no entanto, que torna esse novo Double Dragon um deleite de se jogar. Como indicado pela parte “Neon” do título, os aspectos visuais e sonoros bebem diretamente da estética dos anos 1980. Há em parte uma reverência, em parte uma paródia e uma quantidade de auto ironia na medida certa. Há até mesmo uma piada com o famigerado “Bimmy and Jimmy” de Double Dragon III .

Tudo começa da maneira que Double Dragon começava. Marian está no canto dela, sem incomodar ninguém, quando dois capangas aparecem e a raptam e Billy e Jimmy precisam socar o caminho deles até a garota. O jogo finge inicialmente que irá seguir os caminhos conhecidos e percorridos pelos antigos títulos da série, mas rapidamente dá uma guinada, colocando a dupla no espaço combatendo um vilão alienígena. Esse desvio me deixou um pouco dividido, pois o estilo da maioria dos estágios não é tão interessante quanto as áreas urbanas das duas primeiras fases, e não retornar mais a esses lugares foi um pouco decepcionante. Ainda assim, Double Dragon Neon consegue variar e homenagear características de seu passado – como armadilhas pelo cenário e portas que quando abrem sugam itens, jogadores e inimigos – que não mais ver becos de cidades não foi uma grande perda.

É na atenção aos detalhes que a aura de uma década passada ressurge e torna Neon algo especial. A trilha sonora que o acompanha é ao mesmo tempo boa e ridícula, de uma maneira positiva. As falas dos inimigos e de Billy e Jimmy são compostas de frases de impacto, apropriadas à falta de seriedade de todo o jogo. A dupla, em certo momento, conversa e divisa o plano de prender a respiração para sobreviver ao vácuo do espaço.

Esse cuidado se estende às fitas cassete coletadas, que funcionam como power-ups para os heróis. Há dois tipos, aquelas que aumentam parâmetros dos personagens e aquelas que conferem habilidades especiais, como soltar uma bola de fogo e o chute giratório característico de Double Dragon. Ao selecionar no menu quais dessas fitas você quer usar, uma música específica é tocada. Essas canções não só fazem referência à habilidade em questão, como também parodiam traços de músicas dos anos 1980. Algumas delas claramente são inspiradas na fase oitentista de David Bowie e Depeche Mode. Elas são todas fantásticas.

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Double Dragon Neon

Essas fitas também oferecem um aspecto adicional à jogabilidade. Quanto mais delas são coletadas, mais fortes são seus efeitos. Inicialmente há um limite de dez fitas por habilidade, que só pode ser aumentado se você encontrar um tapesmith e tiver uma quantidade de apropriada de Mythril. Ao fazer isso, poderá carregar 20, 30, chegando eventualmente a 50 fitas. Você não chegará nem perto disso no curso do jogo, que, no normal, durou pouco menos de três horas para ser terminado. Mas para aqueles que quiserem passar dos estágios novamente, caçar mais fitas e mais Mythril (que não é fácil de ser encontrado) é um incentivo.

É só uma pena que - a não ser que você gosta de jogar repetidas vezes em dificuldades mais elevadas - esse seja o único fator que talvez o faça voltar. Permanecendo fiel às suas origens, Double Dragon Neon é curto e não há nada de novo quando ele é terminado. Você destrava algumas artes conceituais, porém receber esse tipo de bônus é como ganhar roupas no natal quando somos crianças.

Não se trata de uma revolução no gênero, mas os cuidados com pequenas coisas diferenciam Double Dragon Neon de jogos similares que ficaram presos demais ao passado. Sua afeição pelo jogo será menor se você não tiver alguma forma de reverência – mesmo que irônica – pela décade de 1980, e, se jogar no mais difícil não for sua praia, Neon oferecerá apenas uma tarde de entretenimento. Entretanto, nada disso elimina o charme e diversão que existem em Double Dragon Neon.

Nota: 4 de 5

Double Dragon Neon
Desenvolvido pela WayForward Technologies
Distribuído pela Majesco Entertainment
Disponível na PlayStation Network e na Xbox Live Arcade, por US$ 9,99 ou 800 MS Points

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