Análise - TowerFall Ascension

Por Henrique Sampaio | - Atualizada às

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Este é o jogo que nos lembra do quão valioso é jogar videogame ao lado de amigos

Se game design pudesse ser medido em graus de pureza, TowerFall Ascension provavelmente seria uma uma das amostras mais puras e absolutas. Você não joga TowerFall para encher barrinhas, subir de nível ou destravar novos conteúdos (ainda que isso aconteça), você o joga pelo simples prazer de jogar.

A simplicidade de suas regras e controles e o dinamismo de suas partidas fazem dele um jogo acessível e descomplicado o suficiente para que todos, até mesmo aqueles que não possuem a melhor das habilidades com videogames, tenham bons momentos. Poucos jogos despertam euforia, risos e descontração coletiva em tão pouco tempo, de maneira tão saudável e revigorante.

TowerFall, que até então era o maior motivo para se ter um OUYA, finalmente deixa o microconsole para chegar ao PC e ao PlayStation 4, e uma nova e aprimorada versão com conteúdo expandido. Não é nenhum exagero dizer que o jogo criado pelo canadense Matt Thorson, em parceria com os brasileiros Amora e Santo, do MiniBoss, responsáveis pelo charmoso visual 2D, e Alec Holowka (de Aquaria), que trabalhou como compositor, entra instantaneamente para o rol das melhores experiências competitivas e sociais já proporcionadas por um jogo multiplayer.

ASSISTA: Nossos gritos e risadas neste Shot de TowerFall: Ascension deixam claro o quanto nos divertimos com o jogo

Você não vai aproveitar o máximo de TowerFall Ascension jogando-o sozinho ou acompanhado de uma única pessoa, ainda que existam essas possibilidades. O melhor que ele tem a oferecer continuam sendo as arenas competitivas para três ou quatro jogadores simultâneos, em que, no controle de seus pequenos bonequinhos arqueiros, eles enfrentam uns aos outros, até restar um único sobrevivente - ou não. Juntar os amigos e controles pode demandar um certo trabalho e paciência, mas a experiência multijogador proporcionada por TowerFall é certamente recompensadora.


Poucos jogos combinam tanto com festas como TowerFall - eu fiz um teste com dezenas de pessoas em casa e o resultado não poderia ter sido melhor. Sua baixíssima curva de aprendizado faz com que qualquer um aprenda a jogá-lo em poucos minutos; a rapidez das suas partidas gera uma rotatividade alta, para que ninguém tenha que esperar muito tempo para jogar e, mesmo os que estão apenas assistindo vibram, torcem, riem e gritam enquanto acompanham os jogadores da rodada. Os replays instantâneos (que podem ser salvos em gif, como estes que você vê ao longo deste texto) contribuem para intensificar esse espírito positivo de competição e torcida. Só TowerFall para atrair pessoas para uma sala onde ainda sequer existe um sofá.

Apesar da aparente simplicidade de mecânicas e controles, TowerFall é bastante profundo. Não importa a quantidade de partidas decorridas, sempre haverá algo inédito para surpreender os jogadores. Um dos motivos para isto é a atenção dos criadores aos pequenos detalhes, como o comportamento das flechas, que rebatem umas às outras, derrubam objetos do cenário, removem chapéus e coroas quando passam de raspão sobre a cabeça dos bonequinhos e se movem de maneiras inusitadas dependendo de cada situação.

Outro fator que torna as partidas de TowerFall sempre únicas e frescas é a grande quantidade de elementos aleatórios que são postos em jogo durante as partidas, que quando combinados, geram inúmeras possibilidades e situações: são diferentes tipos de flechas, power ups, plataformas e armadilhas, além das dezenas de variantes que o jogo permite alterar livremente.

TowerFall Ascension. Foto: ReproduçãoTowerFall Ascension. Foto: ReproduçãoTowerFall Ascension. Foto: ReproduçãoTowerFall Ascension. Foto: ReproduçãoTowerFall Ascension. Foto: ReproduçãoTowerFall Ascension. Foto: Reprodução

Embora a modalidade versus seja o que há de melhor em TowerFall Ascension, o inédito modo Quest mostra que o jogo também funciona quando focado na cooperação de até dois jogadores, que devem devem enfrentar ondas de inimigos com um número limitado de vidas. A boa diversidade de oponentes (que inclui até chefes), alguns capazes de esquivar, realizar ataques surpresa e até contra-atacar, faz com que o modo seja uma boa variação à fórmula principal, além de um bom desafio. Jogar sozinho, porém, perde-se um dos “twists” do jogo em dupla, em que quando as vidas de um jogador acabam, seu companheiro pode ressuscitá-lo derrotando uma onda de inimigos.

O modo menos interessante continua sendo o Trials, em que o jogador deve encontrar a forma mais rápida de eliminar todos os alvos no cenário. Batendo certos recordes de tempo, ele é premiado com medalhas.


Àqueles que já haviam jogado o original, o modo Quest sozinho não justificaria a compra de Ascension se não fosse pela grande quantidade de conteúdo inédito. Boa parte dele, contudo, precisa ser desbloqueado, realizando pré-requisitos, como jogar uma determinada quantidade de partidas em uma fase específica. Embora essas exigências nunca fiquem muito claras, a maior parte do conteúdo é liberada conforme você joga, até como recompensa pela sua constante volta ao jogo e quase sempre surpeendendo-o com pequenas sequências animadas durante a seleção de fases ou no final de uma partida.

Antes dos videogames, os jogos eram experiências quase que exclusivamente coletivas e sociais. Não fosse por isso, Pong não teria sido um tremendo sucesso em 1972, quando foi pela primeira vez instalado em um bar na Califórnia. É essa mesma qualidade que torna TowerFall Ascension um jogo tão mágico, com seu incrível poder de reunir pessoas, despertar sorrisos, causar descontração e fortalecer amizades. E quando você tem isso, pouco importa se há um modo online ou não.

NOTA: 5 de 5

TowerFall: Ascension
Desenvolvido por Matt Thorson, MiniBoss, Alec Holowka, Power-Up Audio
Disponível para PC e PS4

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