Ridge Racer: Unbounded

Agressivo, explosivo e divertido, reinvenção da série tradicional de corrida é cheia de boas novidades

Henrique Sampaio | 05/04/2012 18:33

Texto:

Foto: Reprodução

Ridge Racer: Unbounded

Nos anos 90, enquanto os EUA tinham Need for Speed, o Japão tinha Ridge Racer. Sua relevância, no entanto, foi minguando quase que paralelamente à indústria de games japonesa, o que tornou o famoso “Riiiiiidge Racer” do presidente da Sony ainda mais vexaminoso.

Chegou um momento em que a série servia somente para acompanhar o lançamento de novos consoles – sem concorrentes, era mais fácil se destacar. Porém, se até durante o lançamento de um novo console, Ridge Racer não é mais um nome de destaque, como foi agora, com a escrachada versão do recente PS Vita, alguma coisa precisava ser feita. É aí que entra Ridge Racer: Unbounded, para Xbox 360, PlayStation 3 e PC.

Os finlandezes da Bugbear ficaram responsáveis de reimaginar o jogo de corrida, e com a série FlatOut no currículo, uma versão de Ridge Racer focada na destruição (especialidade do estúdio) já era esperada. Mas Unbounded vai além. Além de aprimorar o que havia de melhor em FlatOut: Ultimate Carnage, de 2007, Unbounded traz um novo sistema de edição e compartilhamento de pistas, no estilo Trackmania – ainda que com suas limitações. O resultado é um jogo bruto, ágil e feroz, que consegue unir pirotecnia, demolição, velocidade e acrobacias.

Balé do metal retorcido

De Ridge Racer, Unbounded traz as famosas derrapagens, um dos meios mais eficientes de acumular pontos e preencher a barra de turbo (um recurso de muitas utilidades, como explico mais à frente). E só. Todo o resto é único e novo o suficiente a ponto de tornar a utilização da marca completamente desnecessária – ainda mais levando em consideração que, mesmo com ela, a Namco Bandai parece, infelizmente, não ter conseguido atrair muita atenção ao título.

Foto: Reprodução Ampliar

Ridge Racer: Unbounded

Do cenário urbano e poluído, com ambientes abarrotados de prédios e propagandas fictícias, à trilha sonora, eletrônico pesadão, repleto de house e dubstep (duas faixas são de Skrillex, o novo queridinho dos games), Unbounded parece ser original o suficiente para se manter como uma marca paralela, bem como Underground foi para Need for Speed por um bom tempo.

Embora traga uma pequena porção de modos diferentes, a corrida tradicional, intensificada com as capotagens, explosões e destruição do cenário é o que há de melhor em Unbounded. Tudo gira ao redor do turbo: além de seu veículo ganhar um grande impulso, deixando um vistoso rastro vermelho pela pista, você pode mandar para os ares qualquer rival que passar pela sua frente, o que ativa uma sequência de capotagem em câmera lenta aos moldes de Burnout. Aí é só deixar a física fazer seu trabalho: enquanto a carcaça do carro voa, cada salto, rodopio e pancada em outros veículos ou no cenário, conta pontos. É bonito de se ver. Depois de uma dezena de vezes, pode cansar, mas há sempre a possibilidade de pular a sequência de destruição e voltar instantaneamente para a ação.

Outra função do turbo é detonar paredes e estruturas para descobrir passagens secretas e atalhos pré-definidos, sempre indicados com marcações enormes na tela, sem tentativa e erro – sábia solução. Atravessar estruturas, fazendo tijolos e pedaços de concreto voarem para todas as direções, enquanto seu carro, provavelmente de titânio, avança para cima dos oponentes na pista, em câmera lenta, é um dos grandes prazeres de Unbounded. Outros elementos no meio do caminho, como muretas, postes, pontos de ônibus, caixas ou até mesmo veículos de passeio e postos de gasolina vão pelos ares como se fossem de isopor com uma simples batida, e ainda enchem sua barrinha de turbo. Isto é: quanto mais destruição, melhor. É completamente absurdo e irreal, e por isso mesmo é tão bom.

Os outros modos, que focam na velocidade, destruição de veículos (“pegue aqui este caminhão e passe por cima de 20 carros de polícia”), na corrida contra o tempo e nas derrapagens ajudam a dar uma diversificada na ação, o que mantém a campanha individual sempre interessante.

Foto: Reprodução

Ridge Racer: Unbounded

População: zero

Outro aspecto notável de Unbounded é seu editor de pistas, incrivelmente maleável, simples e inteligente, que permite criar circuitos tão ou mais detalhados que as pistas originais, graças a um design modular dos cenários. Cada trecho de um circuito, seja uma curva ou uma reta, é uma peça cujo início e fim se une perfeitamente às outras partes. Túneis e pontes adicionam complexidade ao sistema, gerando infinitas combinações interessantes. Em cinco minutos, no editor “macro”, é possível criar uma fase misturando peças dos diferentes locais da campanha individual, que inclui um porto, um centro urbano, o subúrbio e uma área industrial.

Foto: Reprodução Ampliar

Ridge Racer: Unbounded

Um segundo editor “micro” permite adicionar e remover elementos, incluindo rampas, paredes, loopings e uma série de outros obstáculos, quebráveis ou não. Jogadores criativos e com tempo de sobra podem criar verdadeiras montanhas-russas, no melhor estilo Trackmania.

A ferramenta tem lá seus problemas: a câmera entala nos cenários com facilidade e os objetos nem sempre se encaixam, quando sua intenção é agrupá-los. Embora haja um limite de elementos para colocar no cenário, não há como saber se ele já está saturando ou não. De repende, você não pode inserir mais nada na pista, o que o obriga a desfazer uma série de estruturas para “liberar espaço” e poder, finalmente, terminar sua pista – problema que existe até mesmo na versão para PC, o que não faz sentido, uma vez que a plataforma não possui as limitações de memória das versões para console.

Com sua cidade pronta (que é, na verdade, uma coleção de até seis pistas), você pode compartilhá-la com o resto dos jogadores e ver quem obtém as melhores pontuações. Além da curiosidade de visitar construções alheias (uma sensação que não tinha desde LittleBigPlanet, creio), o modo destaca três cidades em desafios temporários. Há também o tradicional modo multiplayer (com corridas tanto nas pistas originais quanto nas criadas pelos jogadores), que pelo menos na versão para PC, a qual eu joguei, simplesmente foi impossível achar qualquer oponente. Talvez a situação nos consoles esteja melhor, mas levando em consideração o hype mínimo do jogo, é melhor não contar com isso.

- Siga o Arena no Twitter e fique por dentro das últimas notícias de games

Há uma série de outras decisões esquisitas em Unbounded, como a tentativa de criar uma história, que nunca é de fato explorada e a total ausência de humanos durante o jogo, inclusive dentro do seu carro e dos oponentes. Defeitos mais evidentes, como os efeitos visuais de explosão, fumaça e detritos que tremem durante a câmera lenta ou a chama que simplesmente insiste em ficar na frente da câmera no modo em primeira pessoa, quando seu carro está danificado, mostram que Unbounded precisava de um cuidado um pouco maior.

Felizmente, nada disso interfere na experiência em si. E para compensar, Unbounded acerta em tantos outros aspectos, incluindo aí uma interface limpa, que tira da tela algumas informações como o número de voltas e a diferença de tempo entre vc e os oponentes rival e as dispõem como um elemento do próprio cenário, de forma elegânte e dinâmica.

Foto: Reprodução

Ridge Racer: Unbounded

Me surpreendo como, mesmo sem concorrentes de peso, Unbounded parece não ter ganhado o destaque que jogos como Split Second e Blur receberam no ano passado – os quais, apesar da aclamação da crítica e do público, foram fracassos de venda. Não me surpreenderia se ele tivesse o mesmo destino, mesmo sendo um ótimo jogo.

Unbounded pode não ser tão irrestrito quanto o nome sugere: aqui não existe o mundo aberto de Burnout Paradise, muito dos atalhos e destruição são pré-definidos e o editor de pistas tem suas limitações. Dentro dessas fronteiras, contudo, Unbounded é capaz de transmitir mais adrenalina, impacto e velocidade que, possivelmente, uma bomba de energético e cafeína.

Nota: 4 de 5
 

Texto:

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG

Ver de novo