SoulCalibur V

Atualização cosmética dos episódios anteriores, SoulCalibur V traz poucas novidades e se foca no multiplayer

Henrique Sampaio | 10/02/2012 15:47

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Foto: Reprodução Ampliar

Patroklos é o protagonista de SoulCalibur V

A primeira versão de SoulCalibur, de 1999, no Dreamcast, foi provavelmente o jogo de luta mais marcante que já joguei. Me lembro de ficar encantado com os movimentos, a riqueza de detalhes, a fluidez dos combates, os diferentes estilos de luta inspirados em artes marciais e toda a beleza visual que compunha as batalhas. E, mesmo sem nunca ter me interessado muito pelo gênero, SoulCalibur foi um dos meus jogos favoritos no console da Sega.

Os jogos seguintes mantiveram essas qualidades, sempre aprimorando o visual e trazendo modos interessantes para serem jogados individualmente, além das tradicionais partidas single player. Aos poucos o que era incrível foi se tornando “mais do mesmo”, até chegarmos a SoulCalibur V que simplesmente repete o que a série já fez no passado, sem adicionar nada muito substancial à fórmula.

Assim, temos um jogo que, como experiência individual, é bem menos do que já foi anteriormente. O multiplayer é que acaba atraindo toda a atenção, com suas diferentes e interessantes possibilidades de embates online, sistema de progressão e um criador de personagens, que retorna ainda mais robusto.

Para mim, isso implica em duas coisas: 

Por não ser exatamente um jogador muito competitivo, não me vejo gastando dezenas de horas apenas em partidas online contra outros jogadores, principalmente quando o sistema, apesar de amplo, não é exatamente dos mais ágeis. Além de toda aquela burocracia de encontrar um oponente, por algum motivo obscuro, o jogo te impede de continuar jogando com ele em partidas consecutivas. No final das contas, você acaba passando tanto tempo navegando por menus quanto jogando de fato. 

SoulCalibur V também acaba dando ênfase demais à criação de lutadores, quase que equiparavelmente à Spore. Tudo gira em torno da personalização. A cada vitória, seu armário virtual fica cada vez mais abarrotado de roupas, itens, acessórios e armas. E não faz muito sentido dedicar tanto tempo e criatividade em um único personagem para depois usá-lo em partidas individuais. É a expressão do jogador, sua vontade de expor sua criação ao mundo que conta, levando-o de volta aos embates online, gerando assim, um ciclo.

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Parece que a ideia dos desenvolvedores foi mesmo dar um foco ao multiplayer, a ponto de tornar o single player quase que irrelevante. O modo narrativa conta a história do protagonista da vez, Patroklos, filho da ateniense Sophitia dos jogos anteriores, em busca de sua irmã, em uma trama linear típica de animes, onde todos os conflitos são resolvidos no punho. Intercalando desenhos estáticos aparentemente carregados de filtros de Photoshop, algumas belas animações e sequências de gameplay, o modo é bem menos interessante e engenhoso do que os tantos outros já criados para a série no passado.

Além de obrigar o jogador a passar algo em torno de 70% do tempo jogando com os mesmos personagens durante todo o modo (o tal do Patroklos e sua irmã Pyrrha), duas horas ou três horas são suficientse para chegar até o final da história, que mesmo prendendo a atenção em alguns momentos, está longe de ser marcante.

Ezio Auditore, de Assassins Creed, é lutador em SoulCalibur V

Fora isso, há apenas os tradicionais modos Arcade, treino e o imperdoável Legendary Souls, para jogadores excepcionalmente bons. Quando lembro que versões anteriores traziam, além dos modos básicos, combinações interessantes com estratégia e até RPG, tenho a impressão de que SoulCalibur V é menor que seus antecessores, em termos de conteúdo e possibilidades de jogo.

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Isso não quer dizer que o jogo em si não seja bom. As lutas continuam insuperavelmente lindas, fluidas e divertidas. Os visuais são tão impressionantes que, como “fotógrafo de videogame”, não consigo compreender a total ausência de um “photo mode”, onde fosse possível congelar as lutas nos momentos mais dramáticos, tanto para apreciação quanto para a captura de screenshots – principalmente se levarmos em consideração as infinitas possibilidades de criação de personagem e o foco na expressão do jogador.

Para não dizer que a mecânica básica continua intocada em relação aos anteriores, há um novo medidor que permite realizar um especial no estilo Street Fighter, algo inédito na série. Cada personagem tem o seu, que quando realizado com sucesso, dá início a uma sequência espetacular de golpes e efeitos visuais. É um recurso até bacana, mas soa “forçado” em SoulCalibur, como se tivesse sido adicionado apenas para ficar parecido com outros jogos do gênero.

Foto: Reprodução Ampliar

Ezio Auditore de Assassin's Creed é personagem "convidado"

A adição de Ezio Salvatore, de Assassins Creed, foi uma boa sacada da Namco, que conseguiu encaixar o personagem muito bem entre o rol de lutadores, usando praticamente todas as armas características do herói.

O editor de personagens e sua integração com o multiplayer é mesmo o que há de melhor em SoulCalibur V, tanto é que todos os oponentes que enfrentei ou batalhas que assisti online, envolviam personagens customizados, alguns deles inspirados em personagens reais, como Dovahkin, de The Elder Scrolls V: Skyrim ou Inuyasha, do anime homônimo – totalmente criados pelos próprios jogadores, usando a ampla ferramenta de edição.

Quanto mais você enfrenta enfrenta outros jogadores, mais você se surpreende com a rica e divertida variedade de personagens, dos mais alegóricos aos mais simples. Assim, os jogadores vão inspirando uns aos outros em um cliclo de criações.

SoulCalibur V compensa a fraquíssima campanha individual com um multiplayer rico em possibilidades, que, apesar de burocrático, dá ao jogador diferentes formas de disputas, um senso de progresso contínuo e a chance de se expressar com suas próprias criações. O jogo é si, contudo, não parece ser muito mais do que uma atualização cosmética das versões anteriores.

Nota: 3 de 5

 

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