Games In Concert é novo espetáculo musical para fãs de videogames

Em entrevista ao Arena, produtor do evento explica o desafio de organizar a apresentação e expectativas da estreia

Caio Corraini |

Katia Nakamura/Reprodução
Games In Concert
Desde o ano de 2006, os brasileiros fãs da parte musical dos games podem acompanhar os shows de Tommy Tallarico e o Video Games Live. Entretanto, já que o evento acontece anualmente apenas em algumas cidades do País, um grupo nacional resolveu tentar atender a demanda do público carente por apresentações do gênero.

Assim surgiu a ideia para o Games In Concert, espetáculo que une uma banda de game music e uma orquestra clássica para homenagear inúmeros jogos no maior estilo rock sinfônico. O Arena conversou com Átila Tetsuo Cumagai, produtor do concerto, para saber das expectativas e os desafios de realizar uma apresentação dessas no Brasil:

Arena: Como surgiu a ideia de realizar um evento como o Games In Concert? A apresentação é uma iniciativa original ou vocês buscaram inspirações de concertos internacionais?

Cumagai: Meu primeiro contato com a ideia de uma orquestra de games aconteceu quando era criança, durante a década de 1990. Meu pai e boa parte da minha família viviam no Japão na época e minha tia, que também vivia por lá, comprou um CD chamado Orchestral Game Music Concerts com vários temas de games interpretados por uma orquestra que eu tive a oportunidade de ouvir várias vezes.

Reprodução
Espetáculo irá homenagear inúmeras séries clássicas dos games
No final de 2010, Rafael Almeida do Grupo Kreators me mostrou alguns vídeos de uma orquestra internacional interpretando músicas de jogos e nós passamos um bom tempo conversando sobre como seria legal se houvesse um espetáculo assim no Brasil.

Faziam aproximadamente seis meses que eu havia assumido a Direção Geral da Across Entertainment, empresa responsável por um evento chamado AnimABC e nós estávamos buscando renovar a grade de atrações do evento. Nisso me veio a ideia de promover um concerto de games durante a 12ª edição do AnimABC em maio de 2011 e foi aí que começou a nossa aventura... (risos)

O primeiro passo foi entender como funcionava a negociação dos Direitos Autorais para podermos tocar as músicas. Isso foi muito tranquilo e a negociação se deu via um órgão chamado ECAD.

Depois disso, procurei o meu amigo Raphael Pinheiro, o “Bruxo”, baterista da banda Smash Bros, discutimos sobre uma setlist que agradasse os jogadores das ultimas três gerações e ele abraçou o projeto!

Então passei a procurar por orquestras que quisessem participar conosco. Conversei com trinta e cinco orquestras diferentes (risos) e nenhuma delas se interessou em entrar no projeto! Nessa busca pelas orquestras conheci o nosso maestro e arranjador Rafael Waisman que se encantou pela ideia do Games In Concert.

Já que nenhuma orquestra havia se interessado em participar do espetáculo, a saída foi montarmos nossa própria orquestra. Então o maestro Waisman começou a realizar audições com os músicos enquanto ele e o pessoal da banda Smash Bros trabalhavam nas partituras.

Como o nome da nossa produtora é Across Entertainment, batizamos inicialmente nossa orquestra como Across Platinum Orchestra e após três meses de ensaios estreamos o piloto do projeto Games In Concert durante o 12º AnimABC no dia 14 de maio de 2011.

Arena: Esta é a primeira edição "oficial" do espetáculo, certo? Quais as expectativas tendo em vista as apresentações anteriores que vocês fizeram?

Cumagai: Tivemos o piloto do projeto ‘Games In Concert’ em maio que foi um sucesso que surpreendeu a todos nós, não esperávamos uma repercussão tão boa. Por conta dessa repercussão em dezembro realizamos o Animes In Concert dentro do AnimABC que também foi muito bem recebido!

No caso da Première do Games In Concert agora, 22 de abril, ele se trata de um espetáculo diferente daquele apresentado no 12º AnimABC. Terá mais músicas, a Across Orchestra foi ampliada e terá mais músicos. Para se ter uma ideia entre músicos e produção teremos oitenta pessoas trabalhando durante o espetáculo.

E em relação as expectativas estamos muito confiantes por conta da resposta que o público vem nos dando!

Katia Nakamura/Reprodução
Games In Concert
Arena: Obviamente o Games In Concert será comparado com o já estabelecido Video Games Live. Para vocês, quais são as maiores diferenças entre os dois?

Cumagai: Em primeiro lugar eu sou um grande admirador do trabalho do Tommy Tallarico e da série de concertos do Video Games Live. Em segundo lugar a Across Orchestra é uma orquestra jovem enquanto a turnê do VGL tem anos de estrada e uma imensa bagagem. Por esses dois motivos eu penso que nós do Games In Concert temos muito que aprender com grandes exemplos como o Video Games Live, a Video Game Orchestra, o Video Game Music Choir de Boston, a Mario & Zelda Big Band do Japão, entre tantos outros muito mais experientes que nós.

Arena: No site é mencionada a vontade de estender as apresentações para todo o Brasil. O que é necessário para que isso se torne realidade?

Cumagai: Nós vivemos um momento muito bom em relação a cultura e espetáculos no Brasil. Nunca se viu tantos musicais e peças de teatro em cartaz, nós mesmos precisamos ficar quase um ano na fila para conseguir uma noite no Teatro Municipal de Santo André, sendo que os teatros de São Paulo - Capital não têm agenda para os próximos dois anos!

Criamos um formulário em nosso site chamado GIC na minha Cidade e todos os dias recebemos e-mails de pessoas de várias partes do Brasil nos pedindo um Games In Concert na sua região. Lembrando que o espetáculo ainda nem estreou...

Para que a turnê nacional do Games In Concert se torne realidade, basta que haja público para isso!

Arena: Como foram escolhidas as músicas que serão apresentadas no evento? O objetivo desde o início foi cobrir desde os jogos mais clássicos até nomes atuais, como Portal e Super Mario Galaxy?

Cumagai: Quando começamos a pesquisa para compor a setlist do Games In Concert chegamos a uma lista de mais de cem temas clássicos! Nosso objetivo era compor um repertório que abrangesse games das décadas de 1980, 1990 e a primeira década dos anos 2000 e, acredite, muitas músicas boas acabaram ficando de fora. Com o material que reunimos, podemos realizar três anos de concertos só com grandes temas dos games.

Divulgação
Games In Concert

Arena: Vocês acreditam que o Games In Concert pode se tornar uma atração anual, como já acontece com o VGL?

Cumagai: Nossa intenção é que a temporada 2013 do Games In Concert seja um espetáculo com músicas diferentes destes da temporada 2012 e pretendemos nos apresentar anualmente.

Serviço:

Games In Concert

Quando? 22 de abril (18h e 20h30)

Onde? Teatro Municipal de Santo André - Praça Quarto Centenário nº 01, Centro, Santo André - SP

Quanto? De R$ 35 a R$ 45

Leia tudo sobre: Games In ConcertSmash Brosgame musiceventoconcertoSanto André

Notícias Relacionadas


    Mais destaques

    Destaques da home iG