Impressões: Toren encanta com aventura fantástica e original

Saiba o que achamos do promissor jogo brasileiro que participa de uma das principais premiações de jogos independentes do mundo

Henrique Sampaio |

Reprodução
Toren

Houve uma época em que falar de desenvolvimento de games no Brasil era o mesmo que falar de advergames em Flash e jogos bobinhos para celular. De alguns anos para cá, porém, o número de produções originais de qualidade têm crescido exponencialmente, graças a uma cultura emergente de pequenos desenvolvedores independentes espalhados pelo Brasil.

Se em São Paulo tivemos recentemente os excelentes Out There Somewhere e Mr. Bree, do Rio Grande do Sul surge Toren, jogo de aventura em desenvolvimento pelo trio da Swordtales, Alessandro Martinello, Conrado Testa e Luiz Guilherme, que inclusive deu uma entrevista recentemente ao Arena.

A convite de Martinello, tive acesso a uma versão preliminar do jogo, que mesmo curta e incompleta, foi uma experiência tão envolvente que, ao final dos aproximadamente 30 minutos, me peguei emocionado, com um sorriso no rosto e os olhos marejados.

Toren é, sem dúvida, um dos jogos mais bonitos já produzidos por aqui. E nem me refiro apenas às qualidades técnicas e estéticas, como a iluminação dos ambientes em 3D ou definição das texturas, mas sim, à experiência como um todo. Tanto que ganhou uma menção honrosa na categoria de Excelência em Artes Visuais no Independent Games Festival, a principal premiação de jogos independentes do mundo, que acontece juntamente com a GDC, entre os dias 5 e 9 de março.

Em desenvolvimento para PC, a versão demo foi disponibilizada recentemente na plataforma OnLive gratuitamente.

A Princesa e o Cavaleiro

O jogo conta a história de uma garota enclausurada em uma torre. Sem textos, narrações e introduções, Toren deixa o jogador livre para absorver e compreender a história da sua própria maneira, enquanto progride. A subjetividade, aliada ao visual meio artesanal e suas figuras e elementos simbólicos, quase folclóricos, compõe uma experiência instigante.

O jogo começa com a protagonista ainda bebê, acordando na base da torre. Depois de engatinhar pelo local com seu corpinho gordo e realizar algumas ações básicas, há uma passagem do tempo e a garota, já criança, ganha novos movimentos, permitindo acessar novas áreas do cenário. O belíssimo trabalho de animação da SwordTales mantem o jogador emocionalmente ligado à garotinha, que ganha vida com os movimentos graciosos, e diferentes expressões faciais.

Sabiamente, Toren dispensa tutoriais e vai instigando o jogador a descobrir sozinho o que fazer. A jogabilidade tem um quê de Alone in the Dark, com a câmera focalizando o ambiente em diferentes ângulos, conforme a personagem se desloca pelos cenários, investigando cada detalhe na busca de itens e pistas que permitam sua progressão. Toren também parece absorver o conceito de hereditariedade e de passagem de tempo de Infinity Blade, mas não vou estragar a surpresa.

Com exceção das partes em que eu não sabia o que fazer, o jogo flui naturalmente, de forma linear. Mesmo com as ocasionais empacadas, típicas de adventures, o número de possibilidades de interação é reduzido (pelo menos na versão de teste que joguei) e a descoberta para a solução de um enigma acaba vindo naturalmente.

Toren. Foto: ReproduçãoToren. Foto: ReproduçãoPublicidadeToren. Foto: ReproduçãoToren. Foto: ReproduçãoToren. Foto: ReproduçãoToren. Foto: ReproduçãoToren. Foto: ReproduçãoToren. Foto: ReproduçãoToren. Foto: ReproduçãoToren. Foto: ReproduçãoToren. Foto: ReproduçãoToren. Foto: ReproduçãoToren. Foto: ReproduçãoToren. Foto: ReproduçãoToren. Foto: Reprodução

Entre um momento e outro, o jogo apresenta animações e segmentos interativos, como a vista através de uma luneta de um cavaleiro cavalgando em um deserto, em uma sequência surreal e poética. Em outra parte, ao abrir a tampa do poço na base da torre, a garotinha observa uma árvore crescer, enquanto tenta alcançar com seus bracinhos curtos a espada pendurada em um dos galhos.

O jogo ganha até toques de ação, como na parte em que a garota precisa avançar em um corredor no lado externo da torre, se escondendo atrás de pilastras sem que uma criatura distante perceba sua movimentação. Assim, Toren consegue criar variedade ao mesmo tempo que mantém o jogador interessado em seu universo fantástico.

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Mesmo incompleto e com muitos recursos a serem implementados ou aprimorados, Toren já se mostra um jogo encantador, bonito e criativo, capaz de se destacar internacionalmente, em meio à atual produção de jogos independentes, como aponta a indicação do IGF. Em uma indústria movida a dinheiro, onde a cópia e falta de originalidade é quase sempre o caminho para o sucesso, a Swordtales optou pela originalidade, mesmo que isso significasse enfrentar um grande risco. Toren consegue ser autenticamente brasileiro sem cair no clichê do Saci-Pererê. E o resultado, até agora, não podia ser mais promissor.

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