"Margem de 30% no varejo do Brasil é muito alta", diz executivo

Country manager da Arvato afirmou durante Fórum do Comércio de Games que é necessário reavaliar valores do varejo no País

Caio Teixeira | 30/01/2012 16:40

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Durante o 1º Fórum do Comércio de Games do Brasil, que aconteceu no último sábado (28), o country manager da Arvato (que fabrica os games de Xbox 360 no Brasil), Glauco Bueno, afirmou que para os preços de jogos no País caírem também é necessário que a margem de lucro do varejista seja mais apertada. “Uma margem de 30% de lucro bruto em cima da venda é maior do que em qualquer outro país”, disse.

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O evento, realizado pela Associação Comercial, Industrial e Cultural de Games (Acigames), é uma tentativa de unificar a indústria de videogames nacional para batalhar por preços mais baixos no País. Hoje em dia, um jogo custa, em média, R$ 180 (quase duas vezes mais caro que nos Estados Unidos).

A afirmação foi uma resposta às considerações de que 30% é um valor razoável para o varejista brasileiro, feitas pelo CEO da rede de lojas UZ Games e vice-presidente da Acigames, Marcos Khalil. “No final, após pagamentos de taxas de cartão de crédito, ICMS e outros impostos, o varejista fica (em São Paulo) com cerca de 22%.”

Entretanto, esses números ainda são altos quando comparados aos praticados no mercado internacional: “a margem do varejista nos Estados Unidos é de cerca de 10%, porém, lá eles ganham com o volume de vendas”, apontou gerente regional da Team One (que chega ao Brasil representando empresas como Bethesda e Capcom), Jorge Ramalho.

Já, para o gerente de produtos da Alcateia (que distribui hardwares), Ricardo Marques, “quando vejo uma margem de 30% em games fico impressionado, já que estou acostumado com o mercado de informática e nós nunca vimos uma margem tão alta”.

A discussão de preços dos jogos no Brasil foi a mais calorosa e demorada do fórum. O conselheiro jurídico da Acigames, Marcos Chien, ainda tirou o pé do acelerador na diminuição de preços no Brasil, afirmando que R$ 149 seria um valor mais aceitável, sendo secundado pelos executivos da Team One e Arvato, que acham o preço mais saudável para o comércio nacional, não prejudicando nem o consumidor e nem a indústria.

Isso fez com que apenas Khalil continuasse a defender os R$ 99 pregados pelo Jogo Justo. “Bato o pé para que os jogos no Brasil sejam vendidos a um valor de R$ 99,90, assim conseguimos competir com os players mundiais”.

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Desde o início do movimento do Jogo Justo, o presidente da Acigames, Moacyr Alves Junior, prega o fim da pirataria que impede o crescimento do mercado interno. A ilegalidade fez com que o consumidor brasileiro se acostumasse pagar cerca de R$ 10 por game na época do PlayStation 1 e PlayStation 2, e essa prática enraizada no jogador seria um dos principais desafios da associação. “O problema do consumidor brasileiro é que ele quer pagar sempre mais barato”, disse.

Foto: Caio Teixeira

1º Fórum do Comércio de Games do Brasil

O preço do jogo

Um dos principais problemas do jogos no Brasil atualmente é que boa parte ainda é importada, fazendo com que taxas pesadas sejam inseridas em seu valor. Como no exemplo acima, um jogo que custa US$ 60 nos Estados Unidos pode chegar ao Brasil por R$ 200.

Isso acontece, principalmente, pela falta de incentivo fiscal, dificultando a importação legal do varejo. Empresas como Microsoft e Sony já prensam seus jogos no Brasil, o que ajuda na queda de preços, mas existe um longo caminho a ser percorrido até que games deixem de ser um produto caro.

No final do ano passado, o texto do Deputado Hugo Motta, que pretende categorizar games para que sejam incluidos na Lei de Informática, que diminui a taxação dos produtos no Brasil, foi aprovado na Câmara dos Deputados. O Arena montou uma tabela que mostra a taxação atual dos games e como ela mudaria caso a categoria receba incentivos fiscais como os computadores:

 

  Taxação atual (importado) Taxação atual (nacional) Após alteração (importado) Após alteração (nacional)
IPI 30% a 50% 30% a 50% 30% a 50% Redução de 80%*
Imposto de Importação 20% - 20% -
PIS/Cofins 9,25%** 9,25%*** Isento 9,25%***
ICMS 18% 18% 18% 18%

 

Mercado nacional

Uma novidade apresentada durante o fórum foi o Cenje (Cadastro de Empresas Nacionais de Jogos Eletrônicos), que será um banco de dados de empresas e profissionais da área de games no Brasil, com o intuito de facilitar o crescimento da indústria no País.

O serviço foi mostrado pelo primeiro secretário da Acigames, Maurício Tadeu Alegretti, que afirma que a diferença entre o Cenje e outros serviços semelhantes – como LinkedIn e Catho – é o foco no mercado de videogames. “As empresas que quiserem se associar ao Cenje ainda precisarão passar por uma verificação da Acigames, pois assim conseguiremos controlar para que apenas a indústria de jogos eletrônicos se beneficie do serviço”, disse.

Exclusivo para desenvolvedores e meio acadêmico, o Cenje será aberto ao público em um segundo momento. “Até mesmo jornalistas e assessorias de imprensa poderão fazer seu cadastro”, disse Alegretti.

Combate à informalidade

A Acigames aproveitou também para revelar que a campanha “Eu Tô Legal”, anunciada em dezembro do ano passado, será lançada oficialmente no final de março. A campanha tem o intuito de coibir a pirataria e o comércio ilegal no Brasil, beneficiando varejistas de games que trabalham apenas com jogos e equipamentos originais.

Outra novidade a caminho é a abertura do cadastro de pessoal física na Acigames, que antes apenas empresas podiam fazer parte, transformando a associação em uma espécie de clube de associados. “Ainda estamos bolando coisas interessantes para os cadastrados”, afirmou Alves Junior, “mas a ideia é que existam promoções exclusivas para estes associados”.

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