Magicka: Quatro magos em apuros

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Pedro Giglio
16.02.2011

Depender da ajuda dos outros é complicado. Seja em um trabalho de grupo no colégio ou faculdade, uma dinâmica na entrevista de trabalho ou a criação de um novo produto, uma coisa é certa: se algum dos envolvidos manda mal, altas chances da receita desandar. Nos jogos com modo cooperativo, isso não é muito diferente. Aliás, nem um pouco diferente.

Se um jogador fica perdido no canto do mapa enquanto o resto do time toma uma surra épica daquele chefão gigante, a zombaria dos colegas está garantida. Agora imagine um jogo no qual a cooperação não é apenas recomendada, como também forçada. Qualquer vacilo bobo é garantia de tudo ir para a proverbial vala. Isto é, conheça Magicka, jogo da Arrowhead para PC distribuído pela Paradox Interactive.



Quatro maguinhos foram passear...

A trama do jogo é uma pequena variação de "feiticeiro maligno ameaça dominar o mundo com seu poder, e grupo de heróis deve derrotá-lo". Talvez seja mais divertido prestar atenção aos pequenos detalhes do que a história principal, já que ela não é levada a sério. Que diabos, o trailer oficial tem a frase "Era uma vez, em um mundo de fantasia genérico"! Os mapas de mundo listam lugares como "Aquela Outra Floresta", tem um sujeito chamado Vlad que jura de pés juntos que não é um vampiro, apesar de morder gente aqui e ali.

Satirizando RPGs, videogames e referenciando a cultura pop - só nas conquistas do Steam dá para pescar referências a Monty Python, Harry Potter, Dragon Ball Z, South Park e até mesmo memes de internet - Magicka é repleto de sacadas bem-humoradas. Você vê que o jogo é calcado no humor ao ter uma conquista envolvendo a indecisão na escolha da cor do seu robe, outra que envolve a morte do jogador amarelo e mais uma sobre solucionar todas as missões paralelas (e só tem uma).

Mas até aí, só falamos do humor voluntário, criado para o jogo. Na verdade, sua mecânica propriamente dita pode render momentos hilários. Com até quatro jogadores por partida, o sistema de magias lembra Final Fantasy Crystal Chronicles, jogo para o GameCube que demandava dos jogadores combinar magias diferentes ao mesmo tempo para a criação de uma terceira. Unir magias do mesmo tipo com outro jogador pode render efeitos aumentados - e anulados, caso sejam elementos opostos.



Uma pitadinha disto, um punhado daquilo e... oops!

O jogador tem oito elementos a serem combinados: água, vida, escudo, gelo, eletricidade, arcano, terra e fogo. A experimentação e livre associação de ideias também vale ("acho que vou combinar fogo e água para fazer um jato de vapor -- ih, funciona!"). No decorrer da aventura, livros com combinações mais complexas - papo de mais de três elementos por vez - aumentam seu grimoire. Nem sempre é fácil achá-los, mas vale bancar o explorador.

Outro elemento interessante lembrou BioShock: atacar inimigos molhados - seja porque você mandou a magia ou por terem saído de um rio, vai saber - com eletricidade é mais eficaz. Porém, sequer pense em começar a usá-la se você mesmo estiver ensopado, que é garantia de morte mais rápida. Seque-se antes. Com fogo. O que leva a outro elemento do jogo, que é definir se a magia será aplicada a si mesmo, uma área ou mirar no inimigo com o mouse.

Por fim, os ataques não estão restritos aos feitiços. O jogador sempre carrega um cajado e uma arma de proximidade - espadas, lanças, martelos de guerra - que pode ter efeitos extras, como incendiar o corpo do inimigo. Este sistema é simples o suficiente para só fazer o jogador pensar "ok, esta espada congela os inimigos e este cajado os afugenta: vamos nessa".

 

Ruído na comunicação, tente novamente

Tanto a campanha principal de 13 fases quanto o modo arena podem ser jogados no mesmo computador (um no teclado, os demais em gamepads), via rede local ou internet. Foi neste último caso esbarrei em um problema que - embora solucionável e reconhecido pela Arrowhead, que "está trabalhando todos os dias para resolver" - possa amargar a primeira experiência com o jogo: instabilidade na formação de partidas online.

É animador ver mais jogos quebrando aquela aura de seriedade que certos títulos propõem sobre si mesmos. O que há de épico neste jogo é justamente a galhofa em torno do gênero RPG, e chega a ser irônico pensar que se trata um jogo que combina bem mecânicas tão interessantes - e que pode render momentos hilários graças ao constante fogo amigo e colegas distraídos ou novatos. Em suma: se você curte jogos cooperativos e não tem problemas de rir de si mesmo (e dos amigos), acredite em Magicka.

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