Skulls of the Shogun será totalmente traduzido para português do Brasil, diz criador

Pedro Giglio
08.04.2011
Dizem que a história é contada pelos vencedores. No caso do protagonista de Skulls of the Shogun (Xbox Live Arcade, Steam e Windows Phone 7), o primeiro jogo da Haunted Temple Studios, esta frase pode ser bem questionável: a morte de seu personagem princial é apenas o começo.
O Arena Turbo bateu um papo exclusivo com Jake Kazdal - game designer, fundador do estúdio e veterano da Electronic Arts e Sega - que comentou o jogo, suas inspirações e outros detalhes bacanas. Você sabia que este é um dos primeiros jogos, se não o primeiro, na XBLA a ser totalmente traduzido para o português do Brasil de que se tem nota?
"Ouvi dizer que o mercado brasileiro realmente está aumentando, e quero que o máximo de gente possível possa curtir este jogo!", disse Jake, animado com as possibilidades daqui. "Alguns amigos meus bem próximos tem um estúdio de tradução em Tokyo chamado 8-4, que trabalham para os maiores clientes da indústria dos games e eles se ofereceram para ajudar!".
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"Skulls of the Shogun é uma mistura maluca de arcade esmaga-botões e estratégia por turnos, estrelada por samurais mortos no além-túmulo", resume o designer. "A mecânica de jogo vem do nosso amor por jogos de estratégia por turno com ritmo mais rápido e interface mais fácil, como Advance Wars, Fire Emblem e Shining Force. Mas nós queríamos tornar este jogo ainda mais fácil de jogar, então nada de quadriculados e menus, apenas estratégia veloz que quase parece um jogo de ação."
Tive a oportunidade de jogar SotS em seu estado atual - é o mesmo pré-alpha apresentado na GDC 2011 e Penny Arcade Expo 2011 - e dá para notar que a interface é amigável o suficiente para novatos, mas não ao ponto de deixar os experts em jogos como Heroes of Might & Magic de fora.
Nada de menus complicados com comandos específicos, ou mesmo mapas com aquelas grades quadriculadas, hexágonos ou o que for: cada unidade pode se movimentar para onde quiser no cenário, desde que dentro do raio de ação naquela rodada. "Não existem menus propriamente ditos, qualquer ação que o jogador puder realizar é mapeada a um dos botões principais do controle", explicou Jake.
O shogun, que pode ser considerado análogo às unidades heroicas dos jogos de estratégia em tempo real e deve ser mantido vivo até o fim da partida, pode ir direto à batalha ou comandar seus soldados - infantaria, arqueiros, cavaleiros, monges-raposa, e por aí vai - para enfrentar as forças inimigas.
Com até cinco comandos por rodada, é possível assombrar plantações de arroz para evocar novas unidades ou partir para a briga. Além disto, devorar as caveiras dos inimigos derrotados recupera a energia - medida por aquela bandeira vertical, como a de Yoshimitsu em SoulCalibur II, que também mostra até quanto dano cada envolvido levará. Mesmo com a aparente simplicidade de comandos, certos detalhes chamam a atenção, como modificadores de terreno. Por exemplo: se seu soldado estiver em um bambuzal, a chance do inimigo acertá-lo ali diminui.
Segundo Kazdal, "estamos tentando torná-lo o mais acessível possível, tentando incluir todos os elementos destes jogos que os fãs de estratégia adoram, mas também garantindo que todos os elementos desnecessários que tornam o gênero mais lento e intimidam as pessoas que normalmente não jogam este tipo de game sejam removidos de forma limpa".
"Temos um sistema de física pleno incorporado ao jogo, então você pode derrubar seus inimigos quando os acerta - às vezes jogando-os em um lago ou abismo para uma morte instantânea em 'ring out', como em Virtua Fighter e SoulCalibur!". Claro que tentei jogar meus inimigos penhasco abaixo. Consegui, mas a vitória durou pouco: meu inimigo teve a mesma ideia. É aí que entra um elemento interessante do jogo: duas ou mais unidades próximas formam um "paredão" resistente a este tipo de ataque.

Mas de onde veio a inspiração temática do jogo? Jake, que é o artista e diretor, explicou: "vivi por cinco anos no Japão (trabalhando na Sega em Tokyo com [Tetsuya] Mizuguchi-san em Space Channel 5 e Rez), e adorava caminhar pelos bosques descobrindo antigos templos esquecidos e ruínas de castelos, e sempre imaginando se fantasmas das antigas batalhas de samurai ainda estão se enfrentando em algum lugar...". Na palestra "From AAA to Indie" na GDC, ele também afirmou ter outra inspiração: os desenhos animados japoneses. No entanto, fã de Naruto e Dragon Ball Z, não espere nada tão recente assim!
"Adoro as animações em preto e branco dos anos 50 e 60, maioria feita pela Toei Animation Studios", comentou Jake, que também deu um exemplo mais específico. "Existe uma famosa série de animação sobre fantasmas que ainda é popular no Japão hoje em dia chamada GeGeGe no Kitarô, que começou naquela época em preto e branco. Também tem muitos dos filmes do Miyazaki, como Doubutsu no Takara-jima (Animal Treasure Island) antes dele sair para fundar sua própria produtora, Studio Ghibli. Ele era um dos principais animadores em muitos longas-metragens antigos da Toei."
Ainda sem uma distribuidora anunciada oficialmente, o jogo tem lançamento previsto para o quarto trimestre. "Queremos lançá-lo no outono, mas se formos forçados a fazê-lo logo antes do período de Natal quanto todos estarão comprando as superproduções, devemos ter que esperar até janeiro. Então estamos trabalhando muito para lançá-lo mais cedo!", comentou. No entanto, não entre em pânico caso não tenha uma das plataformas anunciadas: "expandiremos para outras plataformas depois disto à medida que o tempo e dinheiro permitirem!"

Quando perguntado sobre os novos portáteis, Kazdal afirma: "particularmente, quero muito fazer uma versão para o 3DS. Acho o sistema fantástico, jogo o meu todo dia, parece uma experiência muito nova. Ainda não tive a chance de testar o NGP, mas parece mais um PSP, o que nunca me interessou para começar - mas se o mercado dele se tornar grande o suficiente, nós o apoiaríamos!".
Em algum momento o Shogun precisa parar para respirar, não? Jake comenta o que o futuro reserva à Haunted Temple: "Nosso programador líder tem um jogo no qual está trabalhando em pequenas partes e que provavelmente demoraremos para finalizar e é algo muito diferente, muito sério e baseado em eventos reais do mundo como as recentes revoltas no Oriente Médio. Depois disto, algo novo, maluco e engraçado de novo, espero!".
Se levarmos em consideração o rumo que o título de estreia do estúdio está tomando com sua mistura de ação, estratégia, filme de samurai e muito bom humor, vem coisa boa por aí.
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