Portal 2: Avanços significativos na ciência

Divulgação

Pedro Giglio
25.04.2011

Ah, a ciência. Sempre em busca de respostas, a humanidade nunca cansa de correr atrás do que permanece misterioso, ou tornar real algo que continua no reino da teoria e da imaginação. "O que acontece se eu misturar este elemento com outro?", "Por que isto muda de cor quando a temperatura está mais alta?", e só há um jeito de responder a estas hipóteses: experimentando.

Há quatro anos, a Valve desafiou seus jogadores a "pensar com portais" - com uma arma manual, cria-se até dois portais no cenário: entra por um, sai pelo outro - e agora isto é elevado a outra potência. No desafiador Portal 2 (PC, PlayStation 3, Xbox 360), o jogo em primeira pessoa que mistura elementos de quebra-cabeça, noções de espaço e tempo e agilidade volta não só melhor como bem maior e repleto de novos truques na manga.



Leia mais:
- Preview: Portal 2 - Desafios mentais através do azul e laranja
Andar pelas paredes causava enjoo em Portal 2, diz escritor

Ambientado centenas de anos após o primeiro Portal, o jogador interpreta novamente Chell (ela ainda está jovem graças às maravilhas da animação suspensa), que é despertada por Wheatley, um pequeno robô móvel e esférico que se dedica a levá-la para fora do complexo industrial da Aperture Laboratories, arruinada pelo tempo e pelo colapso da inteligência artificial GLaDOS no jogo anterior.

Como relata a imortal canção "Still Alive", dos créditos finais de Portal, GLaDOS não morreu, sendo reativada no começo desta aventura e prestes a transformar Chell em cobaia outra vez. Pode ter certeza de uma coisa: apesar de continuar passiva-agressiva, digamos que ela não ficou muito feliz em ser destruída no jogo anterior. O jeito é fugir daquele inferno.

Se você não teve a oportunidade de jogar o episódio anterior, faça-se o favor e o jogue na íntegra antes deste. Quem o fez terá vários momentos de emoção, como rever certas salas de testes do primeiro em total estado de ruína, cheias de vegetação e afins graças à passagem do tempo. Naturalmente, a aventura não será uma releitura ordenada do que foi visto no anterior.



Ver a reconstrução das salas de testes da Aperture - cuja história é revisitada a fundo - em frente aos seus olhos é impressionante. Paredes e escadarias se formando graças ao controle supremo de GLaDOS é incrível, com todas as alavancas, bombas pneumáticas e o diabo a quatro trabalhando ao fundo.

É na hora em que vemos os bastidores do laboratório que o jogo realmente brilha. Paredões imensos com torres de defesa automática (aquelas de voz fofinha - e que te metralham à primeira vista), dutos transparentes de transporte, linhas de montagem, dá para ter uma noção melhor do tamanho da fábrica que é muito mais do que aquelas assépticas salas brancas.

Outro aspecto fantástico deste episódio é o fator surpresa: como se não bastassem os enigmas envolvendo abrir portais em superfícies diferentes, vez por outra novos elementos no cenário são apresentados para que ajam em conjunto com estas passagens. Pontes de luz sólida, raios laser, esteiras automáticas e etéreas, sempre há um novo truque a ser aprendido.

Tenha certeza de que as surpresas estão garantidas - ou você acha que a Valve revelaria tudo antes?



Como aconteceu no primeiro jogo, um novo conceito baseado em um projeto de estudantes foi apresentado: as tintas com efeitos especiais. Dispostas em encanamentos no cenário, onde pingam ou jorram, as possibilidades que elas trazem - como quicar em superfícies na tinta azul e ganhar supervelocidade ao andar na laranja - são fantásticas.

O roteiro continua divertidíssimo. Se GLaDOS continua com tiradas tão hilárias quanto cruéis, as novas vozes do jogo - o robô Wheatley e Cave Johnson, fundador da Aperture - são brilhantes. Impecáveis atuações de Stephen Merchant e J.K. Simmons (tinha como esperar algo diferente?) garantem uma nova leva de memes na internet.

Além da campanha single-player bem mais longa e robusta - por aqui, foram cerca de 9 horas até o final épico -, a outra grande novidade de Portal 2 é seu hilário modo cooperativo para dois jogadores. Esta trama extra põe os robôs Atlas e P-body em uma grande bateria de testes dedicados à participação em dupla, sendo essencial coordenar a interação com elementos no cenário e a criação de portais.



Parece que a Valve está atingindo níveis Pixar quando o negócio é criar personagens não humanos e carismáticos. As animações e reações destes robôs são impagáveis - e se você ficou apavorado ao vê-las em meio a bandeirolas, chapéus e acessórios como conteúdo extra por download, custando entre US$ 1 e US$ 5, calma: estes são opcionais! Os outros são destrancáveis no decorrer da aventura.

Por mais que seja divertido ver seu parceiro de ciência resolver os testes, periga ser mais engraçado ainda vê-lo falhando miseravelmente. É difícil segurar o riso (ou ao menos o emote de gargalhada do robô) ao ver que aquela ação planejada com carinho não funcionou. Ver seu amigo rindo da sua cara no picture-in-picture só promove isso.

Você sabe que um jogo é realmente marcante quando você se pega pensando nele mesmo longe da tela. Juro que Portal 2 reavivou minha "síndrome de portais", me fazendo imaginar como seria útil ter acesso à portal gun no mundo real - fosse para ir do quarto à cozinha, ou mesmo distâncias bem maiores, em um passo. Quem sabe um dia...



Siga o Arena Turbo no Twitter



ÚLTIMOS REVIEWS

Ver todas »