Mighty Milky Way: Mandando o tédio para o espaço

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Pedro Giglio
18.05.2011

É interessante como certos games ensinam conceitos complicados de modo simples - e às vezes até mesmo sem o jogador reparar. Braid apresentou relatividade e física quântica ao brincar com o fluxo do tempo. Assim como seu antecessor, Portal 2 brincou com elementos como inércia, momento e o teletransporte - infelizmente, ainda no campo da hipótese.

Mighty Milky Way, terceira produção da WayForward para o DSiWare, também pode entrar na lista de jogos que têm em sua mecânica principal um ensinamento sobre algo que você provavelmente torceria o nariz na escola. Assim como os exemplos acima, o novo game também tem um pezinho na física - mas o fenômeno a ser explorado desta vez é a gravidade.

Bon voyage, dame verte

Verde, ruiva, meio gordinha e entediada, a alienígena Luna anda precisando de uma mudança de ares. Felizmente, a jovem astronauta tem um cetro que serve para emitir um pulso que permite destruir e criar planetas - e no melhor estilo do Pequeno Príncipe, lá vai nossa heroína vagar de planetoide em planetoide para ver o que há lá fora.

O jogador começa em um planeta e precisa chegar ao buraco negro ao final de cada fase. Se o jogador deixar, Luna continua andando na superfície do planeta o tempo todo, mas dá para acelerar seu passo ou diminuir até parar com o direcional. E é com o uso da canetinha que as brincadeiras gravitacionais começam a acontecer...

Ao clicar no planeta da vez, Luna bate com o cetro nele e é jogada para cima. Se o planeta for pequeno, ela voa indefinidamente até cair em outro; se for grande, ela não irá longe demais, pois o campo gravitacional será mais forte. Cada planeta aguenta dois pulsos do cetro; no segundo, ele explode e a mocinha voa rumo ao espaço.

No meio das fases, o jogador pega docinhos espaciais - é isso aí - que servem para criar novos planetas. Quanto mais durar o clique em um lugar vazio no espaço, maior o planeta será. A combinação de criação e destruição de planetas, fugir dos pequenos inimigos que caminham neles, evitar as paredes mortíferas e quicar nas que não são é envolvente.

Saindo pela tangente

"Mas até aí já existe uma cacetada de jogos que usam gravidade em sua mecânica", você diz. Sim, você tem razão, mas este tem um aspecto aplicado de forma bem interessante: o efeito estilingue. Você já deve ter ouvido falar disso no colégio, em notícias sobre a exploração espacial, ou mesmo em filmes de ficção científica, mas vamos a um exemplo mais simples.

Parte da maneira como os cometas se movem pelo espaço envolve a passagem próxima aos planetas, onde o corpo celeste chega perto o suficiente dele para entrar em seu campo de gravidade, mas não o bastante para cair na superfície, e seu movimento continua com impulso. É mais ou menos isso que dá para fazer no jogo - na real, isto é necessário em certas fases.

Este é o tipo de jogo que faz o jogador se sentir esperto ao conseguir decifrar certos enigmas, como apontar para perto de um planeta enorme e não aterrissar nele - mas, sim, tirar vantagem disto para dar a volta nele e continuar flutuando no espaço em outra direção. Se serve de motivação, tem até planeta que é morte instantânea se pisar nele!

Ao final de cada galáxia, o T-Rex (um tiranossauro robô muito louco, por mais que isto possa soar como o nome de um filme dos anos 80) vem para atazanar a vida de Luna, e aí tudo o que foi aprendido tem que ser posto à prova - e rápido, pois ele dispara um laser dos olhos que destrói o planeta da vez.

Parece que a WayForward continua com motivos para ter carta branca (ou eu deveria dizer "carte blanche", em homenagem às frases em francês declamadas por Luna?) para suas produções originais. A combinação de pixel art, mecânica de jogo envolvente e trilha sonora incrível torna Mighty Milky Way uma das grandes pedidas do DSiWare.

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